domingo, 19 de dezembro de 2004

Dezembro

Chegou dezembro. Tem gente que não gosta do Natal, acha que Papai Noel é o símbolo máximo do capitalismo... Eu amo esta época do ano. Quando acabam as aulas, as ruas ficam mais vazias de manhã, as coisas parecem mais calmas, serenas. Num instante, parece que todo o sistema em que vivemos nos últimos nove ou dez meses desaparece, e logo me ocorre quão horrível ele é. Passamos o ano inteiro correndo atrás de coisas que por si só, não nos fazem o menor sentido. Fazemo-lo por obrigação, para sobrevivermos. Mas não só por isso. Há aí também uma questão muito maior, que não tenho a menor presunção de explicar, mas trata-se de ocupar o tempo para se evitar as indagações mais inerentes a nossa existência, ao nosso tédio. É bem verdade que muitas vezes, quanto mais paramos para refletir sobre essas coisas, mais nos afundamos em dúvidas e parecemos um verdadeiro poço de vontades e desejos insaciáveis e incertos. Mas nesta época do ano não. Talvez pelo cansaço do período de labuta, talvez pela expectativa de realização de alguns caprichos, não nos incomodam as filosofices.

Além disso, o Natal tem uma aura muito especial. Algo muito sublime e puro, como os velhos desenhos da Disney. É muito diferente do carnaval por exemplo, quando cada um parece travar uma competição interna para ver quem vai ter a estória mais esdrúxula para contar para o resto da vida, seja uma bebedeira homérica, uma suruba escatológica ou um perrengue qualquer. Há gostos e gostos. Nesse exato momento, parece-me mais apropriada a ternura regulada das coisas justas e amorosas.



Ps.: Agora tenho um fotolog wich, by the way, é muito mais regularmente atualizado que essas minhas (in)confidências. moderaterock

quinta-feira, 11 de novembro de 2004

Minha doce apatia

Ultraviolence

Segunda-feira eu me senti assim:

Ando por aí, solene e garboso, com a altivez dos que nada querem. Como é soberbo passar por alguém e nem lhe olhar, sequer notar-lhe a presença! Chuto o que aparece no caminho porque desviar é trabalhoso. Não vejo paisagem, não penso na vida, apenas me desloco pelas trajetórias mais curtas. Não atendo chamados, não autorizo ninguém a me alterar a inércia. Não dou margem a qualquer atrevimento, não me dirija a palavra! Não tenho vontades nem desejos, para mim tanto faz! Ah! o gênio do desprazer! A beleza da indiferença! Nada é mais atraente do que alguém que me despreza! É admirável o mecanismo do meu movimento. Com que graça corto o ar, passo após passo, sem nada esperar! Chego a meu destino e me cansa ter que parar. Não há o menor sentido agora.

Ps.: Comentem, porra!



sábado, 6 de novembro de 2004

bleu bleu bleu

Hoje eu não deveria estar postando. Deveria estar em São Paulo, esperando ansiosamente pelo show do Brian Wilson. Tem um monte de coisas erradas no mundo. Só que eu não quero consertá-lo feito alguns. Quero me adaptar.

Nada para escrever aqui, vou deixar um textículo ruinzinho que escrevi. O título eu não dei porque quero que seja o nome do personagem e não sei que nome dar. Quem tiver sugestão...



Desde pequeno lhe agradavam as coisas azuis. Era tamanho seu fascínio que seu comportamento e seus gostos se explicavam pelo que de anil havia no que quer que fosse. Talvez por isso nunca foi grande glutão. Embora, isso é lá verdade, não demorou muito e deu para dizer que chocolate tinha um gosto azul. Ele era excêntrico, mas bobo não era não.

Um dia, soube que blues era um tipo de música. Depois de escutá-la, soube que o nome se explicava porque, em inglês, blues significava triste também. Achou muito errado. Como puderam desperdiçar a alcunha naquele lamento fastidioso? Para ele, azul era Chopin. Ouvindo seu piano, costumava sentar-se na areia da praia e mirar o horizonte. Gostaria de morar lá porque era onde os azuis se encontravam. Quando o crepúsculo vinha sangrar-lhe a paisagem, recolhia-se magoado. Nunca se resignou que àquela pintura se sucedesse tamanha brutalidade. A aquarela que se formava na sesmaria sempre lhe lembrava “O Grito” de Munch. O medo... Munch devia ter mesmo sangue de rei.

Sua paixão persistiu até que conheceu Rosa. Rosa era loira, palmeirense e usava uma mochila vermelha.

A partir de então, passou a gostar de salada de frutas e a admirar as flores e o arco-íris.

terça-feira, 26 de outubro de 2004

The old in-and-out

Quando tinha meus oito anos (ai que saudades deles), morava em um prédio onde havia várias crianças mais ou menos da mesma idade. Uma delas era Marina. Quando ainda não tinha feito amizades no edifício, às vezes esbarrava com um grupo de garotas, e dentre elas estava Marina. Ela me chamou a atenção e tomei para mim que gostava dela. Passou o tempo e um dia estava no play quando o grupo de meninas me chamou para brincar. Logo fiz amizade com elas. Muitas vezes faço amizades com meninas mais facilmente...

Mais um punhado de dias e surgiram risinhos e gracejos por parte das amigas que Marina gostava de mim. Fiquei muito contente na época, mas morria de vergonha de que soubessem que também gostava da Marina. Por essa época já falava com todos do prédio, inclusive com os meninos. Não demorou muito, a notícia de que Marina gostava de mim se espalhou e meus amigos começaram a me pressionar para que eu a namorasse. Meses depois, como se estivesse muito difícil persuadir meus companheiros de pelada de que não gostava da Marina, pois ela era muito jeitosinha, tive uma brilhante idéia para afastar o perigo de que me desvendassem o segredo. Foi quando disse para os rapazes que não gostava de mulher. Lembro que os mais velhos riram muito e que até ensaiaram, mas não me enxovalharam como seria de se esperar. De imediato haviam concluído que eu gostava de homens. Aí já era mentira demais! Disse que não gostava de homem nem de mulher e ficou por isso mesmo. De modo que quando o papo descambava para meninas, sempre tinha desculpa para não me posicionar, desviando assim de minha timidez.

Lembrei disso por esses dias pelo acontecido na faculdade. O papo era sobre as garotas que passavam, ou sobre uma garota em especial que passava, não me recordo... Alguém disse que comia, eu me manifestei também. Não me lembro como, dessa prosa fez-se menção à Scheila Carvalho. Acho que um de meus amigos disse que ela era a que “morria” mais fácil. Aí surgiu a questão. Eu não como a Scheila Carvalho. Mediante o espanto do meu amigo, perguntei a todos os homens lá da sala e todos não só comiam como lambiam os dedos. Muito estranho... A tal rapariga têm umas pernas que na minha opinião se assemelham muito às do Roberto Carlos. Fora a cara de quenga e a barriga tanquinho que para mim é coisa de homem... Outra vez sou o excêntrico, só que desta vez digo a verdade.

Mas de tanto persistir encontrei alguém da minha extirpe. Pus a questão para o meu irmão. Ele respondeu que não sabia, displicentemente. Retruquei que não era tão difícil assim responder. Coisa simples: come ou não come? Resposta de meu querido irmão: “ Ah, cara sei lá, porra! Depende: ela é legal?”

quarta-feira, 20 de outubro de 2004


Minha gangue da faculdade no quarto da música (e viva o alternativismo carioca!)

Mensagem subliminar

Você acredita no nome dessa loja?

Dentro de uma mina artesanal construída por escravos

Thiago, Japa e eu

Saudades de Ouro Preto
Posted by Felipe

sábado, 2 de outubro de 2004

Patati Patatá

Bati o recorde de tempo sem postar. Logicamente que há um bom motivo para isso. Vocês querem saber? Não? Então tá... não conto...



Patati Patatá


Vez por outra eu me recolho e reflito. Fazia um tempo evitava fazê-lo, mas esse fim de semana resolvi retomar meu velho hábito. Sinto-me desconfortável... Às vezes finjo que não sei o motivo, mas não demora muito e o vazio logra me encucar de novo. Feliz daquele que se molda ao ambiente. Eu sou inflexível e burro na minha perseverança. Há de sair dessa teimosia algum proveito, seja lição ou logro, tanto faz... mas que venha rápido. Falo como se fosse outro que não eu o responsável. Isso aqui não deve interessar a ninguém...

Saiu de minhas caraminholas, por essas “pensanças” que me acometeram, um postulado: Existem dois tipos de mulheres no mundo; as que não entendemos e as que não tentamos entender.

Grandes bosta isso... Se fosse eu uma mulher, diriam que estou mal-comida. Falta de pica... Mas nem é. Pica é coisa fácil de encontrar. O ruim é quando o problema está em nós mesmos.



Deixando isso de lado, não posso deixar de mencionar aqui o show do Cachorro Grande no Ballroom fim de semana passado. Que noite mais cretina de boa!!! Os caras são muito loucos, quebram tudo! O Lobão gritando pantomimas e patuscadas do nosso lado... cover de Helter Skelter afff... Vejam um show dos caras e me digam quão alucinado é o baterista (Gabriel Azambuja).

quarta-feira, 15 de setembro de 2004

Taxman

Hoje fui andar de kart com meus amigos da faculdade. Sim, agora tenho amigos lá. A viagem para Ouro Preto foi realmente produtiva nos mais diversos campos da minha vida. Inclusive na descoberta da origem de meu Campos. Silly comment... Mas, voltando ao assunto, confesso que não tinha grandes expectativas. Na verdade nem sei por que decidi ir. Mas, ora vejam só, foi muito bom. Andar naquele brinquedinho é uma das melhores terapias que eu conheço. Não, nem é. Mas enfim, custou R$ 25,00 e valeu a pena. Saí de lá todo relaxado.

Até aqui confesso que o post está bem digno de foda-se, mas aí é que vem o fato que gostaria de relatar aqui: saí do shopping no meu carro com mais cinco amigos dentro. Paramos num sinal e vem um garotinho, com seus treze ou catorze anos, e mete a cara pelo vidro da janela do carro: “ Você não é aquele artista?” , me perguntou, ao que completou em seguida: “John Lennon?”

Putz, podem-me achar o mais idiota do mundo, mas essas coisas bobinhas me deixam tão feliz... Acho que nunca dei dinheiro para ninguém no sinal, mas ele levou uns trocados que ofereci com todo o prazer do mundo. E eu não era o único beatlemaníaco no veículo. Mal sabia o moleque que podia ter descolado mais um bom dinheiro se chamasse o Daniel de Paul McCartney...

segunda-feira, 13 de setembro de 2004

Ouro Preto

Imagino que queiram saber como foi a viagem... Lamento, mas não estou com saco para contar. Limito-me a dizer que foi muito bom, que recomendo Ouro Preto como destino e que encontrei a casa de meus antepassados, onde hoje em dia mora um parente meu chamado Juca Campos, artesão e meio hippie. Ele falava com muita calma, disse-me que ficasse na casa, que tinha muitos quartos e um fumódromo atrás. Provavelmente ele estava meio alto quando falei com ele pois não me respondeu algumas perguntas e tinha um olhar meio vago. Lamento muito não ter podido atender ao pedido que ele me fez de voltar lá para bater um papo e tomar uma cachaça porque amei aquele cara. Não me perguntem o motivo. Um dia eu volto lá. Fotos em breve, eu espero.

Quem quiser me acompanhar até lá o dia que for visitar o Juca será muito bem-vindo e vai se beneficiar de meus conselhos, visto que visitei quase tudo o que é humanamente possível em uma semana e posso dar dicas. Super afudê!





domingo, 5 de setembro de 2004

Travelling

Este blog ficou meio ao deus-dará esses dias, admito, mas não foi por falta de vontade de escrever; foi por falta de tempo. Isso é meio novidade para mim. Costumava andar mais relaxado, observando as coisas e pensando na vida, com horários bem definidos... Nada podia ser muito espontâneo que logo deixava para lá e ficava em casa mesmo.

Em átimos de segundos que tenho tido para pensar (na verdade acho que só tenho pensado na vida enquanto dirijo) acho que descobri o porquê dessa correria toda.

Creio que venho buscando, em tuodo quanto é canto simultaneamente, e daí minha falta de tempo, encontrar algo que me satisfaça. Nada parece me completar... Talvez isso seja uma consequência negativa de minha plenitude passada: não sossego com esse buraco em minh´alma. Nos últimos três dias, sobrepus com exrtema desreza compromissos, de forma que nem sabia que hoje tinha jogo do Brazil. Aliás, não notem o mal jeito da letra; estou com muita pressa.

Deixo este teclado para ir para a rodoviária, de onde sairei em direção a Ouro Preto. Ficarei lá por uma semana, com minha turma da faculdade, com tudo pago pela UFRJ, para participarmos do Encontro Nacional dos Estudantes de Controle e Automação. Nome grande... Na verdade vou passear, conhecer a cidade, o povo jovem da terra das repúblicas...

Ontem descobri que o Campos de meu nome vem de lá. Meu tataravô era um cidadão muito poderoso lá e perdeu toda a fortuna numa crise do café. Foda-se; o fato é que a casa de meus parentes é tombada, de modo que estou pensando em conhecê-la.

Anyway, está na minha hora... pessoas, estou triste porque este blog vem enfrentando uma crise de comments. Vocês não me viram violento! Façam o favor de comentar esta joçam inclusive sobre os dois textos que postei e devem estar aí para baixo. Até a volta.

terça-feira, 24 de agosto de 2004

C´est la vie

Sabe quando você está doido para que a aula acabe e ela está só no começo? Daí você começa a imaginar as coisas mais absurdas que poderiam acontecer para que a aula fosse interrompida, que a professora podia passar mal etc. Pois bem, aconteceu comigo há exatamente uma semana. Havia acabado de me sentar de frente ao PC do laboratório, com apostila de C++ recém-aberta no colo, desejando nunca haver nascido. Eis que me entra um cidadão dizendo para evacuar o prédio porque houvera um incêndio no bloco A, que por sinal fica há coisa de 1 km do bloco H, onde estávamos. Aparentemente uma geladeira de um laboratório de química tinha explodido. Que pena...



Para quem não está sabendo, roubaram meu quadro preferido: O grito de Edvard Munch.









Aqui vai um texto que acabei de escrever. Este tem um estilo completamente diferente do outro, acho que pelo espaço de tempo que separam a confecção deles. Por favor, comentem dizendo o que acharam do texto!!




O homem





Seguia pela rua naquela manhã de domingo, calma e ensolarada, embora não fizesse calor. As ruas quietas, a brisa, tudo lhe revigorava a alma enquanto apreciava os poucos movimentos na rua. Uma senhora varria a rua alternando ora o jato da mangueira, ora o vigor da vassoura. O senhor de boina carregava o embrulho de pão, e desfechava o papo matinal com o padeiro ao se encaminhar para fora da panificadora. Tudo emoldurado pela trilha dos pássaros, muito agitados àquela hora.

Mais adiante, reteu-lhe a atenção um barulho, algo sendo arrastado. Era um homem, mal vestido, negro, forte porém magro, de muita labuta provavelmente. Deu para observá-lo. Que sofreguidão nos movimentos. Imaginou-o ali na véspera, quando fizera muito calor e não ventava. Teve pena e deteve o passo, fascinado que estava pela situação. Trazia consigo um carro roto, de rolimãs já debastadas de muito uso e longa data. Dentro iam bugigangas diversas, desde o televisor velho a pedaços de madeira e caixas de papelão. Devia ser penoso tracionar semelhante geringonça pelas ruas, com seus declives e aclives, buracos lá e cá.

Naquele momento, tentava em vão içar uma mesa antiga abandonada, de madeira boa decerto, pois parecia realmente pesado. Notou-lhe os andrajos e percebeu que havia feridas nas canelas, estava descalço e trazia pés muito castigados. De fato pensou como conseguia andar sobre o asfalto quente sem calçado algum. Escorriam-lhe algumas gotas de suor, do esforço ininterrupto, sabe lá de quanto tempo, quiçá de toda uma vida. Pôs-se a imaginar sua idade. Já não era jovem. Denunciavam-lhe marcas na pele e no rosto esfarrapado. Trazia barba comprida.

Vencido pelo cansaço, puxou de dentro do carrinho uma garrafa de refrigerante que já não mais se fabricava, contendo água que não parecia limpa. Mesmo assim bebeu, goles longos e calmos, olhar tranqüilo de quem parecia cumprir apenas mais um dia de trabalho.

Aquela serenidade despertou-lhe perplexidade. Como diabos vivia esse homem? De onde tirava forças? O que será que pensava ao acordar? Será que dormia? Onde?

Foi despertado desses pensamentos por um grito. Uma mulher trazia um serrote e o homem sorria a examiná-la vindo ao seu encontro. Ele tomou do serrote, abraçou-a e beijou-a e pôs-se a serrar a mesa.







quinta-feira, 12 de agosto de 2004

I me mine

Depois de amanhã é aniversário da minha mãe. Mas não pensem vocês que pretendo homenageá-la aqui. Não postei nada no dia dos pais, por quê postaria no aniversário da minha mãe? Não, não vou homenageá-la. Aliás, não vou homenagear ninguém aqui e quem porventura tenha se sentido agraciado de alguma maneira, desculpe-me a honestidade, mas foi só impressão. Esse espaço é meu e de mais ninguém! E tenho dito.

Pois do alto de minha autoridade que me foi concedida por mim mesmo quando fiz esse blog, coloco aqui um textículo, com cacófato e tudo, que escrevi há coisa de dois anos e meio atrás, durante a fase mais difícil da minha vida.




O caso


Não poderia haver ocaso mais triste que o de Renata. Ainda lhe choravam a ausência mesmo os mais distantes e aqueles conhecidos que compareceram por se sentirem obrigados ou por verem nesta lúgubre cerimônia um remédio para a monotonia de seus dias. Sim, pois mesmo estes, tão logo chegavam e se compartilhavam com tamanha dor e estupefação. E o enterro se melancolizava com o epicédio de soluços e arfares, da nostalgia fresca que corroia a todos.

Renata dormiu e não acordou. Abandonou-se na areia movediça de seus sonhos e se perdeu nas dimensões do desconhecido, de onde não se volta e para onde ainda iremos. Seus familiares não conseguiam digerir esta reinação que a vida lhes impunha e com todos as características mais cruéis que a ingenuidade do menino Desconhecido podia proporcionar. Como pode morrer sem causa, morrer e só?

E lá ia o esquife e os médicos até então a perscrutar o compêndio de conhecimentos, tão variados, que demoraram anos para colecionar em suas mentes, e nunca lhes pareceu tão inútil muito saber diante do Impossível.

Agora já não eram lamentações, eram gritos, a incompreensão personificada no cortejo; as lágrimas choviam, qual deles seria o próximo a simplesmente morrer? Era inevitável; a loucura a inflamar-lhes como a quem pula de um prédio em chamas, já não resistindo à ardência da realidade. A vida sempre a um fio e ninguém o nota senão quando já pende ao abismo. E era este o sentimento da turba mas...

Ah, não lhe atinaram o nome, Renata! Com efeito já se abre o caixão à tua força desesperada. O que é isso? Quanta gente! O que acontecera? Ora! Ainda vives? Este é o teu enterro! Será milagre?

Não, é ironia, pois esta notícia lhe atravessa o peito num infarto fulminante e Renata agoniza em seu próprio féretro. Eis um só funeral para duas mortes.




Tanto estes traços que separam meus texto quanto o alinhamento do título ao centro foram devidos à minha iniciação à programação em HTML. Em breve coisas mais legais serão colocadas aqui, espero. Peço a todos que deixem sua homenagem a mim ou então sejam sinceros e digam o que acharam do escrito.

domingo, 1 de agosto de 2004

Vacations

Peço desculpas a quem porventura tenha-se decepcionado ao entrar aqui e se deparar com o mesmo post novamente, mas não pude escrever porque estava muito ocupado vivendo. Que coisa, não?

Minhas férias começaram mau. O tédio revelava-me o vazio da existência e tudo indicava que eu estava no começo de duas longas semanas. Agora, prestes a entrar na crise da musiquinha do fantástico, no fim de meu descanço, vejo que talvez tenha sido somente o frio que reinava outrora e me prostrava, assim como a muita gente, o responsável pelo meu fraquejo. De fato, foram excelentes meus últimos dez dias. Reuni-me repetidas vezes com meus amigos da turma A, inclusive sendo anfitrião em uma das ocasiões. Como temia, revelei-me um péssimo anfitrião, mesmo tendo transferido parte de minhas responsabilidades a Seu Rummenigge. Deu-se algo do tipo: "Esperamos o resto da galera ou vamos para a quadra agora?", ao que eu respondia " Não sei. Rummenigge, o que você acha?" . "Seus amigos não estão com fome?", indagava minha mãe; "Não sei, mãe... Isso é com o Rummenigge..." respondia eu sem pestanejar.

Talvez o clímax destas congregações tenha-se dado na casa de Seu David, pelo ocorrido na partida da escrete canarinha. No conjunto da obra destesto a Globo, mas admito que os eventos esportivos por ela transmitidos perderiam a graça se não fossem as pilhérias ensejadas pela figura canhestra de Galvão Bueno.

Férias engrenadas, eis que me surge uma viagem: Meu Fã me chamou para ir para Barra de São João. Lá fui eu conhecer novos ares. Alem do local, conheci também novas pessoas. Muito legais mesmo! Além de Meu Fã, conviveram comigo Dona Lêlê, Dona Renata e Dona Babita , as mineirinhas mais lindas e gente-boas que conheci, Dudu e Fino. Este é morador daquelas bandas e um cara muito bom e elevado espiritualmente; aquele é primo do João, essa raça que hoje forma junto com os negros, índios e brancos a base da etnia de nosso povo. Que engraçado que foi! Fiquei inebriado com as histórias daquele lugar e das coisas que já se sucederam na casa de Meu Fã. Muito obrigado por me convidar. Lá vai algumas fotos. As de Barra posto depois.

Camilla, Meu Fã, Dudu, Marcelinho, eu e Paloma.
Posted by Felipe

Sentido horário: Gordo, eu, Paloma, Arrigoni, Claudinha e Camilla no show do Reverse.
Posted by Felipe

David e eu falando merda
Posted by Felipe

Aniversário da Renatinha no Galeria Gourmet
Posted by Felipe

terça-feira, 20 de julho de 2004

Illusions

Ai, ai... Que showzinho de bosta! Sinceramente, pior só se o Radiohead vier ao Brasil. Diferentemente de Meu Fã, eu e minha trupe, composta de meu irmão, Aline, Arrigoni, Diego e Cléber pulamos muito. Entramos gente, saímos farrapos de lá. Encontramos várias pessoas do colégio ( Camilla, Peteleco, Jong, Leandro, pessoal do terceiro ano ). Quem ainda não viu o show do Ventura pode até imaginar que seja bom, mas não viu o cenário do show. Muito bonito mesmo. Aliás, teve outra coisa muito bonita: quando a música começou, tava tudo tão bom que eu lembro de ter pensado com meus botões enquanto pulava e cantava: " Não dava para ficar melhor isso aqui..." e foi exatamente quando senti confetes caindo sobre nossas cabeças! Putz, me arrependi muito de não ter levado! Espero que alguém consiga imaginar quão mágico e poético foi esse momento. A música excelente, alta, os tremiliques do Amarante, amigos pulando comigo... e confetes que davam um clima ingênuo à toda aquela diversão. Depois, não obstante o carro estar fazendo uns barulhos estranhíssimos e tremendo p´ra caralho, ainda levamos Dona Aline a uma festa ali pelos arredores ( e lá tomamos refrigerante, que a sede estava nos corroendo ). Enfim... foi uma noite ímpar.

Aqui segue uma lista de frases e pensamentos que julgo interessantes:



" Recuso-me a entrar para um clube que me aceite como sócio." (Groucho Marx)



" Não tenho vergonha de mudar de idéia pois não tenho vergonha de pensar." (Pascal)



" Diga a verdade e saia correndo." (dito Iugoslavo)



" Eu era muito jovem para ter um carro, então transava com as moças no banco de trás de minha bicicleta." (Woody Allen)



" Não despreze a masturbação - é fazer sexo com a pessoa que você mais ama." (Woody Allen)



" Se você ama alguém, deixe-o em liberdade. Se a pessoa voltar, ela é sua, se não voltar, nunca o foi." (Richard Bach)



" A certeza conforta, mas a dúvida é sábia. Eu prefiro o conforto. Eu acho." (Eu)



quarta-feira, 14 de julho de 2004

My fair lady

Este é meu primeiro post escrito num teclado sem fio. Ou seja, estou escrevendo de casa no meu novo computador, que ganhei de aniversário da minha vó e de meus tios. É estranho receber presente... Lógico que não é ruim, mas às vezes tenho a impressão de que nunca consigo agradecer suficientemente bem nem fazer com que me percebam suficientemente feliz, não com o que ganhei, mas pelo simples fato de alguém ter-se importado de me fazer um agrado. De fato, gostaria mesmo é de poder retribuir na mesma moeda mas não é possível na maioria das vezes. Ainda não tive oportunidade de agradecer a alguns de meus tios pessoalmente. Na verdade só me atrevi a fazê-lo a minha vó. Mas desse mato não sai cachorro... passemos a outras plagas.

Estava eu outro dia matando o tempo, já que ele um dia há de me matar também, quando Seu Morim escreve-me por ICQ:"Jesus, me explica uma coisa?". Juro que pude pressentir, na pureza e sinceridade destas palavras que o motivo era nobre. " Por quê as mulheres preferem caras difíceis e não querem saber dos que são atenciosos e tal? " (A pergunta não teve nada a ver com essa mas quiz dizer isso)

Eu já estava mesmo querendo escrever sobre isso só que ampliando um pouco mais a pergunta: Por quê as mulheres preferem caras que não são gentis e delicados, sensíveis, que sempre estão dispostos a ceder e fazer a vontade delas na medida do possível? Estranhamente, elas preferem aqueles mais machões, que falam grosso e brigam, não se preocupam muito com o que elas pensam etc. Não me sinto inspirado para expor o problema de maneira clara, como sói tão misterioso assunto, mas como ele é notório, creio que não há prejuízo à compreensão dos que lêem. Mas recomendo que leiam o último (não o mais recente, mas o que está por último na página) post do site da Revista Garagem (www.revistagaragem.blogger.com.br) para ver o assunto tratado pela visão de uma garota. Por exemplo: já notaram que bandido sempre faz sucesso com a mulherada? Outro dia mesmo morreu um traficante e tinham seis caboclas chorando-lhe a ausência no enterro. Saiu no jornal.

Andei conversando com meu oráculo e ele me disse que a causa disso remonta aos nossos antepassados. Nos seus primórdios, o homem caçava e lutava por espaço e pela fêmea. Era essa sua tarefa de modo que só prosperaram aqueles seres com inclinações mais viris, ou alguém imagina um homem das cavernas discutindo a relação com sua esposa, enquanto a carrega pelos cabelos? ( Exageros à parte ) Desta forma, as mulheres adquiriram ao longo dos séculos uma tendência à procura de seu macho, que a proteja do mundo. E nesses tempos de feminismo, parece-nos extremamente estranho e contraditório essa postura. Pareceu-me fazer muito sentido esta tese.

No entanto, creio que já deu tempo de perceber quão ultrapassado esse conceito é e que seria razoável revê-lo, para o bem do próprio sexo feminino. Enfim, eu não beijo mais pé de mulher alguma mas há os que ainda o fazem e gostaríamos todos de entender melhor o pensamento feminino. Pois então, peço encarecidamente a você mulher que comente este post explicando se você se enquadra nesse perfil e por quê. Ajudem-nos nesse que é o maior enigma do planeta: a mulher.



Pós-post: Muito obrigado ao pessoal que comentou. Talvez o comentário que melhor se adapte ao meu ponto de vista seja o do Bernard. Gosto muito desse muleque e também espero ser seu amigo.Gostaria de esclarecer, mediante alguns relatos de que este blog está meio triste e depressivo, que isso não é reflexo de meus sentimentos atuais, mas sim de um processo natural de amadurecimento e autoconhecimento. Para deixá-lo definitivamente alegre, no entanto, revelo que deixo o teclado agora para ir ao show do Reverse (banda do primo do João, e boa p'ra caralho) e que sexta é dia de Los Hermanos (sem comentários).

quarta-feira, 7 de julho de 2004

Real Love


Eu "fantasiado"
Posted by Felipe





Como havia prometido, aqui vai minha opinião sobre o ocorrido sexta, não sem antes explicar o que realmente aconteceu, pois os jornais não apresenteram versões satisfatórias.

O marcelo Camelo, em entrevista à Revista Oi, disse que fazer comercial de refrigerante era um desdobramento da indústria e que eles rejeitavam esse negócio de vender atitude. Notem que ele não mencionou o nome de ninguém, porém na reportagem o jornalista lembrou que o Charlie Brown Jr. e O Jota Quest fizeram propaganda para a Coca-Cola e Fanta, respectivamente.

Então acontceu o que todos já sabem: O Chorão agrediu o Camelo que não revidou ( o Amarante chegou a revidar tomando as dores do amigo ). Não sei o que diabos passa na cabeça desse cidadão para agredir um cara com o porte físico do Camelo, um cara doce e calmo p'ra caralho. Mas o que me deixa puto nesta história é que o trglodita sempre deu uma de porta-voz da juventude, não perde uma chance para fazer demagogia. E os jovens o escutam! Porra, será que não dá p'ra perceber quando um cara é ou não exemplo para agente? Outro que me deixa puto é o D2. Cheio do papo político... Será que ele faz idéia da influência que tem sobre os seus fãs? Quantos jovens já não entraram nesssa de fumar maconha por sua influência? E quais são as conseqüências disso? Eles com certeza não fazem idéia da dimensão de suas palavras e atos... Como disse o Bruno Medina em seu blog ( www.instanteanterior.blogger.com.br ) , numa sutil referência ao fato, eu tenho pena. Não vou me prolongar mais, só vou deixar um outro fato de que lembrei: no Vibezone esse ano saiu briga no show dos Detonautas. Aí o vocalista interrompeu o show seguidas vezes para desferir alguns palavrões, pedindo que parassem com a selvageria. Achei um tanto irônico um sugeito com um aspecto tão agressivo como ele, falando de forma ainda mais agressiva pedindo paz para o Rio...

Agradeço os comentários de todos e em especial o do Morim e o da Camilla. Gostei do texto e a bem da verdade, digo que eu tenho a tal ânsia do infinito. Só que meu infinto, eu o buscava numa música bonita, nas sinfonias, num filme bonito, num sorriso de um amigo, num beijo na pessoa amada... Ou seja, eu o procurava onde o jovem normalmente não vê lá grandes coisas. Ou pelo menos não vê como eu vejo, porque se vissem, conseguiriam tocar o infinito... conseguiriam apertá-lo com as mãos e vê-lo escorrer entre os dedos pois nessas coisas residem um amor tão terno, tão pleno que o errar, o experimentar, simplesmente não fariam sentido. Como li num livro do Lima Barreto, pensar cava abismos entre os homens. Eu sou muito reflexivo e logo diferente, estranho, esquisito. Mas esse meu jeito me faz muito só, a ponto de perder namorada e deixar de fazer amizades. Por isso decidi mudar. Acho que sou responsável o suficiente para saber os limites do que posso fazer, e dentro deles o que quero agora é aproveitar ao máximo a vida dessa nova maneira.

Com esse pensamento que fui comemorar o níver do Vitor numa chopperia com o pessoal da velha guarda. Descobri que chopp escuro não é ruim ( e descartei a Smirnoff de vez para um futuro possível porre ) e me diverti à beça. Quer saber? Muito bom amigos falando merda em volta da mesa!

Ah! Tirei meu primeiro dez na faculdade. Física. Talvez tire em Física Experimental também... Estava com saudades disso...

sábado, 3 de julho de 2004

Me an alcoholic relation

Pré-post: sabe quando você espreme uma espinha e ela espirra no espelho? Então... Este post não tem nada a ver com isso.



Me an alcoholic relation



Pois muito bem; aproximo-me dos vinte. Lembro-me constantemente de uma passagem em Memórias Póstumas de Brás Cubas em que o autor defunto, ou defunto autor, vê o tempo passar da seguinte maneira: a vida é um saco de moedas e Deus está constantemente tirando- -as do saco: " Uma de menos...". Detesto fazer aniversário. O fato de o dia me proporcionar visitas, contatos com parentes e amigos, bolo, festa e presentes não compensa perder um ano, um ano que não volta mais. Muito triste abandonar inexoravelmente uma pequena era como uma idade, e pior ainda abandonar uma grande era, talvez a melhor delas, a adolescência. Mas já fui mais nostálgico. Percebo hoje que a contemplação do passado, idealizado à medida que o tempo lhe apaga as mazelas, impede ou ao menos empaca a vivência do presente e dificulta a formação de nossos sonhos, pois parece impossível algo vir a ser tão bom como o que já passou. Assim, o passado rouba-nos também o futuro. Então, trato de não pensar no que já foi e de aproveitar o presente e fazer novos planos, pois ainda está muito cedo para viver de memórias.

Junto com esses pensamentos, ocorre-me também o quanto eu estava enquadrado em padrões nos últimos tempos. Eu que sempre fui meio porra-louca virei santo. Acontece que existem coisas que não entendia, e existem outras que ainda não entendo. Mas o fato é que estava tão pleno, tão completo que não enxergava que a vida não é perfeita assim para todo mundo ao mesmo tempo. Isto se refletia em uma aparente tranqüilidade budista e em uma revolta, ou consternação talvez seja a melhor palavra, quanto a bebidas, tabaco e drogas. Eu perguntava-me por que as pessoas faziam uso dessas substâncias se elas faziam mal. Na verdade, em relação à bebida, perguntava-me por que diabos algumas pessoas projetavam suas felicidades no álcool, mediam-na em copos. Ora, se as coisas andam difíceis, quem diabos há de se preocupar com a posteridade? Engraçado pois eu mesmo me acho algo depressivo. Se alguma coisa dá errado, meu primeiro impulso não é gritar, brigar etc. Minha primeira reação é recolher-me ao meu canto e refletir.

Aqui entra uma pequena curiosidade: por isso não botei o nome desse blog de felipcity. Foi o primeiro nome que me veio à cabeça e me pareceu bom pois dava a idéia de uma cidade minha, ou um lugar meu, e associava meu nome à felicidade. Mas sentir-me-ia um tolo todas as vezes que postasse ou entrasse aqui e estivesse triste.

Hoje consigo entender perfeitamente as pessoas que se enquadram no perfil citado. Outro dia, estava com um amigo e sugeri-lhe que abordássemos duas garotas. Ele virou para mim e disse: " As coisas não são assim não... Eu sou tímido". Ora! Essa fala é minha! Eu a inventei! Timidez, teu nome é Felipe! E vejam só, entornando alguns copos, facilmente se torna mais social, menos tímido e faz coisas que não teria coragem de fazer sóbrio. E isto é só um exemplo; há diversos motivos que levam alguém a trilhar caminhos tortuosos.

Então revi uma posição que havia tomado. Sempre quiz saber como é estar ébrio mas havia ponderado e chegado à conclusão que não valia a pena, que era muita imbecilidade beber demais e depois passar mal. Hoje não tenho esta certeza. Sinto-me inclinado a experimentar tal sensação algum dia que houver o ensejo. O foda vai ser gastar uma grana com Smirnof, já que não gosto de cerveja...

Mudando o assunto, hoje é aniversário do Vitor Pantoja, um velho amigo meu que faz vinte anos. Esse moleque é o cara que, dentre os que conheço, é o que tem a maior inteligência cinestésica. Ele joga futebol p'ra caralho. Mas muito mesmo. Na verdade ele joga tudo bem. É impressionante. As únicas modalidades em que ganho dele são basquete, tênis de mesa ( embora ele discorde ) e alterofilismo, naturalmente. Meus parabéns!!! Gosto muito de você e nunca vou esquecer os momentos que passamos juntos no colégio.



Pós-post: Não deixem de comentar porque caso contrário, não há diálogo aqui. Pois diálogo, como a própria palavra diz, envolve duas pessoas. Que haja retorno. O título do post foi tirado da música Hospital Bed do novo cd do Ben Kweller: On my way. Recomendado para os bons ouvidos.

terça-feira, 29 de junho de 2004

Second post: the one with the ridiculous title

Pré-post: gostaria de agradecer a todos que comentaram porque, como diria o ilustríssimo senhor Paulo Leal, issso aqui é uma via de mão dupla, um canal aberto para contatos entre pessoas e eu e até entre pessoas e pessoas. Peço a quem não comentou que o faça pois muito me alegra saber quem por aqui esteve ou eventualmente o que acharam do que escrevi.



Second post: the one with the ridiculous title



Falei sobre a faculdade e esqueci de mencionar um assunto que muito me incomoda nela: a quase ausência de mulheres. Outro dia, estava parado num sinal, meu irmão do meu lado. Atravessou uma garota e eu, depois de observá-la, disse-lhe: " Tô te falando que esse Méier anda estranho, rapaz..." . Para quem não entendeu eu quiz dizer que a rapariga era bonita. Meu irmão meio espantado olhou para mim e disse:" Porra, tu tá de sacanagem!". Olhei para a garota novamente e reparei que, realmente a garota era feia. Aliás, muito feia, do avesso. Vejam vocês a carência por que passo naquele CT. Não se trata somente de carência física, de alguém para abraçar e tal, mas de um toque feminino no ambiente. Algo menos racional e mais florido. E eis que nesse deserto, avistei um oásis ao qual cheguei sábado de noite.

Trata-se da festa à fantasia de Comunicação da UFRJ, no campus da Praia Vermelha, com motivo cinema. Foi a terceira vez que pus meus pés naquele local, segunda vez num evento de Comunicação. Porra, a festa foi muito boa! Local muito agradável ( bem em frente de onde Seu Rummenigge vai estudar ), muita mulher bonita, música boa p'ra caralho e mais mulher bonita. Fora a companhia de meus eméritos amigos e colegas João, Dudu, Rodrigão e Daniel, o responsável por termos ido ao evento ( o sortudo faz Comunicação na UFRJ ). Pela segunda vez, eu e João nos arrependemos amargamente de fazermos Engenharia. Você talvez esteja se perguntando se a situação do CT é tão ruim assim. É. Para falar a verdade, na minha sala tem duas garotas que considero bem bonitas mas, como disse para o João, eu preciso de contraste, não quero garota falando de motores, matrizes... Cruz-credo! Quero meninas comunicativas, que detestem matemática, que não gostem de futebol etc.

Destarte, resolvi desengavetar um projeto meu: semestre que vem, eu e João devemos começar a fazer francês. O que o cu tem a ver com as calças? Simples: no curso de francês devo conhecer garotas ( que falando francês ficam-me ainda mais femininas e atrativas ) e começo a pensar no convênio que a Escola Politécnica tem com universidades francesas. Não pensaram que pretendo fazer francês só pelas garotas, né? Depois de alguns relatos de Meu Fã, vulgo João, que me disse que na Europa o pessoal é inteligente, comunicativo e tem um bom gosto danado para música, parece-me significativamente interessante poder daqui a algum tempo viajar para lá e conhecer outra cultura, ver shows que nunca aportam por aqui e curtir as mulheres de lá. Tudo isso é bastante utópico agora, mas o primeiro passo será dado. E depois, esta língua me soa muito bonita, de modo que quero aprendê-la.

Sinto que este post ficou muito pessoal para o que pretendo para este blog, então lá vai um convite a todos que estão lendo: eu, João e Rodrigo vamos (re)ver "Os Ignorantes", peça de Pedro Cardoso, em cartaz no Shopping da Gávea. Devemos ir no fim de julho quando do encerramento de sua temporada carioca. Se você acha o cara engraçado na TV, ainda não viu nada. O senão da estória: R$ 20,00 a meia no sábado... Quem quiser ir deixa um comentário e vai economizando. Seria legal se fosse uma galera. Vale cada centavo!

Se o João me mandar fotos da festa, tento postá-las. Falando nisso: vamos à Casa da Matriz sábado? Fala com o Dudu. Quem quiser ir está convidado.





Ps.: A quem possa interessar, ontem à noite se deu no Cine Íris a gravação do DVD do Los Hermanos e dia 16 de julho tem show deles no Claro Hall.



sexta-feira, 25 de junho de 2004

Brand New Blog

Enfim criei meu blog! Ainda não sei mecher nisto direito mas lá vai primeiro post...

Quando disse a alguns colegas meus que faria um blog todos me torceram a cara: coisa de mulher ou falta do que fazer, responderam-me. Falta do que fazer vai lá... Na verdade acho o blog muito interessante; à medida que se escreve coisas que se passam na sua cabeça no momento, organizam-se as idéias, algo como uma terapia virtual, além de ser um bom veículo de comunicação. Posto isso, mudemos o rumo da prosa.

Já que é o primeiro, vou escrever sobre o que faço no momento, sobre o que ocupa a maior parte do meu tempo atualmente: a faculdade. Faço Engenharia Mecatrônica, mas lá na UFRJ chamam-na de Engenharia de Controle e Automação. Soa bem nerd e de fato é um pouco. As pessoas me perguntam como está a vida universitária, se já fiz amigos mas na minha turma ninguém ficou amigo de ninguém ainda. Nós não fomos a chopadas nem ninguém combinou de sair junto... Ou seja, o pessoal é meio nerd mesmo mas o título é deveras pomposo. Eu estou providenciando minha estréia em chopadas mas devo ser pé frio pois a chopada de Nutrição já foi adiada duas vezes... A saber, escolhi Nutrição porque vai um pessoal amigo meu e tenho duas amigas que fazem este curso: Mariana e Natália. Mas voltando, as pessoas sempre falam que as salas de universidades públicas são uma bosta mas semestre que vem nossa sala terá ar-condicionado e já têm carteiras acolchoadas. A única merda são aqueles braços que mal comportam um caderno... Aliás, já tive aulas em três salas que me deixaram de queixo caído: ar-condicionado com controle remoto, TV, VCR, data show, lap top... Geralmente essas salas são para as aulas de Introdução à Engenharia pois vêm engenheiros de empresas importantes e não convém causar-lhes má impressão. Outro dia veio um da Siemens. Ô cara chato. Enquanto ele despertava bocejos do pessoal eu fiquei meio que em devaneio, metido com meus pensamentos e de repente me vi diante de uma questão imbecil. Ei-la:

Uma máquina faz um troço;

Outra máquina faz a máquina que faz o troço;

Outra máquina faz a máquina que faz a máquina que faz o troço;

Quem diabos faz a primeira máquina?



Foda-se... Na verdade, nessas horas sempre penso em como seria bom haver tele-transporte. Isso também me passa quando estou no meio da rua e fico apertado para ir ao banheiro. Já mijei duas vezes na saída 2 da Linha Amarela ( a de Água Santa ). Sim, ali mesmo, naquele mato cheio de entulho e à noite, para você ver o quanto eu estava apertado. Pode parecer mentira mas depois da segunda vez, juro que no meio daquela terra infértil, entre aquele monte de entulho, nasceram umas flores bem onde havia derramado meu fecundo jato.