sábado, 3 de julho de 2004

Me an alcoholic relation

Pré-post: sabe quando você espreme uma espinha e ela espirra no espelho? Então... Este post não tem nada a ver com isso.



Me an alcoholic relation



Pois muito bem; aproximo-me dos vinte. Lembro-me constantemente de uma passagem em Memórias Póstumas de Brás Cubas em que o autor defunto, ou defunto autor, vê o tempo passar da seguinte maneira: a vida é um saco de moedas e Deus está constantemente tirando- -as do saco: " Uma de menos...". Detesto fazer aniversário. O fato de o dia me proporcionar visitas, contatos com parentes e amigos, bolo, festa e presentes não compensa perder um ano, um ano que não volta mais. Muito triste abandonar inexoravelmente uma pequena era como uma idade, e pior ainda abandonar uma grande era, talvez a melhor delas, a adolescência. Mas já fui mais nostálgico. Percebo hoje que a contemplação do passado, idealizado à medida que o tempo lhe apaga as mazelas, impede ou ao menos empaca a vivência do presente e dificulta a formação de nossos sonhos, pois parece impossível algo vir a ser tão bom como o que já passou. Assim, o passado rouba-nos também o futuro. Então, trato de não pensar no que já foi e de aproveitar o presente e fazer novos planos, pois ainda está muito cedo para viver de memórias.

Junto com esses pensamentos, ocorre-me também o quanto eu estava enquadrado em padrões nos últimos tempos. Eu que sempre fui meio porra-louca virei santo. Acontece que existem coisas que não entendia, e existem outras que ainda não entendo. Mas o fato é que estava tão pleno, tão completo que não enxergava que a vida não é perfeita assim para todo mundo ao mesmo tempo. Isto se refletia em uma aparente tranqüilidade budista e em uma revolta, ou consternação talvez seja a melhor palavra, quanto a bebidas, tabaco e drogas. Eu perguntava-me por que as pessoas faziam uso dessas substâncias se elas faziam mal. Na verdade, em relação à bebida, perguntava-me por que diabos algumas pessoas projetavam suas felicidades no álcool, mediam-na em copos. Ora, se as coisas andam difíceis, quem diabos há de se preocupar com a posteridade? Engraçado pois eu mesmo me acho algo depressivo. Se alguma coisa dá errado, meu primeiro impulso não é gritar, brigar etc. Minha primeira reação é recolher-me ao meu canto e refletir.

Aqui entra uma pequena curiosidade: por isso não botei o nome desse blog de felipcity. Foi o primeiro nome que me veio à cabeça e me pareceu bom pois dava a idéia de uma cidade minha, ou um lugar meu, e associava meu nome à felicidade. Mas sentir-me-ia um tolo todas as vezes que postasse ou entrasse aqui e estivesse triste.

Hoje consigo entender perfeitamente as pessoas que se enquadram no perfil citado. Outro dia, estava com um amigo e sugeri-lhe que abordássemos duas garotas. Ele virou para mim e disse: " As coisas não são assim não... Eu sou tímido". Ora! Essa fala é minha! Eu a inventei! Timidez, teu nome é Felipe! E vejam só, entornando alguns copos, facilmente se torna mais social, menos tímido e faz coisas que não teria coragem de fazer sóbrio. E isto é só um exemplo; há diversos motivos que levam alguém a trilhar caminhos tortuosos.

Então revi uma posição que havia tomado. Sempre quiz saber como é estar ébrio mas havia ponderado e chegado à conclusão que não valia a pena, que era muita imbecilidade beber demais e depois passar mal. Hoje não tenho esta certeza. Sinto-me inclinado a experimentar tal sensação algum dia que houver o ensejo. O foda vai ser gastar uma grana com Smirnof, já que não gosto de cerveja...

Mudando o assunto, hoje é aniversário do Vitor Pantoja, um velho amigo meu que faz vinte anos. Esse moleque é o cara que, dentre os que conheço, é o que tem a maior inteligência cinestésica. Ele joga futebol p'ra caralho. Mas muito mesmo. Na verdade ele joga tudo bem. É impressionante. As únicas modalidades em que ganho dele são basquete, tênis de mesa ( embora ele discorde ) e alterofilismo, naturalmente. Meus parabéns!!! Gosto muito de você e nunca vou esquecer os momentos que passamos juntos no colégio.



Pós-post: Não deixem de comentar porque caso contrário, não há diálogo aqui. Pois diálogo, como a própria palavra diz, envolve duas pessoas. Que haja retorno. O título do post foi tirado da música Hospital Bed do novo cd do Ben Kweller: On my way. Recomendado para os bons ouvidos.

7 comentários:

  1. Bem , nao tem nada a ver com esse post ainda mais porque ainda nao o li , mas nao pudia deixar passar o fato do Camelo ter sido "espancado" pelo Chorao , ontem no aviao. uhAUHuhauhAUHuhahuhA
    Qdo eu ler esse post , eu comento mais alguma coisa aki
    Braços,

    Gun.

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  2. Caralho! Eu li isso no jornal e decidi-me na hora: meu próximo post será sobre isso. Só vou esperar o pessoal comentar esse aqui. Comentem logo esta joça preu falar logo o que penso desse ocorrido.

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  3. é jesus, realmente tem épocas na nossa vida que a gente pára e começa a ver as coisas de uma outra maneira, talvez seja oq muitas pessoas, geralmente mais velhas dizem que é assim que vamos ser quando amadurecermos.
    uma atitude como beber até passar mal, por um lado pode parecer uma coisa de um adolescente rebelde e idiota, mas ao mesmo tempo você pode encarar isso como uma nova experiência, como uma atitude que apesar de não torná-lo mais ou menos homem porque o fez ou deixou de fazer, você pode encarar isso como uma experiência....que mesmo não gerando nada produtivo, é uma situação que você quer experimentar pra daqui a alguns anos poder falar pro seu filho que vivenciou isso e sabe como é.
    nossos pais sao os grandes pivores na arte de querer nos preservar de tudo...falo isso por experiencia propria, que se meus pais tivessem a oportunidade, me privariam de passar por qualquer problema.
    entendo a posição deles e acredito que quando eu for pai, terei essa mesma posição, mas hoje entendo que até mesmo os erros são importantíssimos para a formação de qualquer pessoa.
    errar não é ruim, errar é bom....faz você às vezes colocar a cabeça de volta no lugar e aprender até aonde as coisas podem ir.
    mas vou parar de filosofar aqui, até porque esse blog aqui é seu e não meu....mas deixo aqui minha presençar, os parabéns pro vitor que ha muito tempo não vejo...desde os aureos tempos da cultura inglesa que não faziamos porra nenhuma e ficavamos conversando a aula toda haiuheuihauihe, até a professora em algumas ocasiões nos colocar em cada ponta da sala para não conversarmos huaihiuhae (isso cada um com seus 16~18 anos).
    aquele tempo era muito foda. espero qualquer dia esbarrar contigo de novo :]

    sobre o episódio do Chorão, acho que não tem nem o que comentar....até onde vai a estupidez de uma pessoa e até onde vai a ignorância de um povo que reverencia esse grupo que é o CBJR, que faz musicas sem o mero sentido e sem nenhuma poesia.

    como dizem, gosto é que nem c*...cada um tem o seu...e cabe a propria pessoa saber como cuidar dele....

    continuo dizendo pra quem quiser ouvir....e podem discordar de mim que eu não vou dar um soco que nem o chorão fez não hauihoauihe

    enquanto tivermos funk, pagode, e esses supostos "rocks" (é até vergonhoso chamar isso de rock) não vamos nunca conseguir o tão "sonhado" título de país de primeiro mundo....

    com tanta musica e musicos bons....bossa nova, o proprio samba de raiz, chico buarque, tom jobim...a unica coisa que prospera nesse país são as tchutchucas e as musicas de corno.

    infelizmente essa é a realidade do nosso país....mas tá certo...cada um já nasce com a sua sina, dizem, e parece que a minha é presenciar isso haioihoiuahuihe.

    abração jesus,

    ass: morim

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  4. kra, comentar os seus posts eh foda, pq vc escreve tanta coisa que dá ate preguiça de comentar, mas oq não fazemos pelos amigos? hehe, um grande OI E ABRAÇO PRA TI CAMAGADA...

    ps:. conta melhor essa história do Chorão X Camelo...
    vlw!
    ass: Diego

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  5. Ser jovem é ter abertura para o novo na mesma medida do profundo respeito ao imutável.
    É acreditar um pouco na imortalidade me vida, é querer a festa, o jogo, a brincadeira, a lua, o impossível e o distante.
    Ser jovem é ser bêbado de infinito, de infinitos, que terminam logo ali(...)
    É não saber nada e poder tudo.
    Artur da Távola
    ***

    Eu lembrei desse texto enquanto lia seu post... Não me pergunte pq. Aliás, eu acho q tem um pq sim.
    Sabe qual foi a imagem q meu veio enquanto lia esse texto(por sinal muito bom)??? Um cara q sei lá, veio do século passado(devia ser amigo de Brás), digitando essa coisa (ou cousa, se preferir...). Acho q é isso q te falta Lipe um pouco de "jovem". Acho q vc tem essa imagem de ser jovem = a ser babaca... Concordo, a maioria é assim, mas não todos!
    Mas pelo visto vc ta começando a mudar de ideia...Já ta querendo dar em cima das meninas, querendo beber. Antes tarde do q nunca. E depois vc se acostuma com a cerveja e até toma paixão depois(experiencia propria), é q nem comida japonesa!
    ***
    Bom é isso, quando for beber me chama. Te apresento uma coisa chamada de cachaça! Muito boa! Ficar chapado de smirnof não dá, é cara e muito fraca, precisa de umas 6 pra ficar "deveras" bebado, e ai haja money pra segurar a barra! Cachaça é mais barata!
    Beijokas Camilla!

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  6. Oh Lipe, desculpas! Eu sou muito esquecida, cara! Mas... PARABENS ATRASADO!!!!
    beijokas da camilla (again)!

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  7. Elemento de alta periculosidade, sinto-me meio responsável por sua inclinação à cachaça. Não faça isso!! Pensando bem, faça, mas cuidado. Esse mundo tá muito doido por aí.
    Foi comigo aquele diálogo das moças. Veja bem, seria burrice chegar nas madames. Elas eram tipo boas pra caralho. Toco certo. Além da timidez, rolou um certo toque de lucidez. A manguaça tira essa tal lucidez, e faz a gente cometer certas extravagâncias. Às vezes elas até dão certo momentaneamente, mas no dia seguinte nem a glória será tão bem aproveitada, já que a ressaca impedir-nos-ia. Dudu me corrige: Comemorar de ressaca é muito mais legal. Acordar cheio de dor de cabeça, olho quase fechando, cheio de dor e lembrar do ocorrido, dá-nos uma sensação de missão cumprida, pós-guerra. Tipo o soldado Ryan naquele filme. Perdeu todo mundo, mas ajudou a eliminar o tal de Hitler.

    Foda-se. Fodam-se. Foda-te.

    Sem rebeldia... foi a melhor despedida que eu pude elaborar agora.

    Até

    P.S. Já não gostava do Chorão. Agora tenho ódio. Coisas da vida.

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