quinta-feira, 12 de agosto de 2004

I me mine

Depois de amanhã é aniversário da minha mãe. Mas não pensem vocês que pretendo homenageá-la aqui. Não postei nada no dia dos pais, por quê postaria no aniversário da minha mãe? Não, não vou homenageá-la. Aliás, não vou homenagear ninguém aqui e quem porventura tenha se sentido agraciado de alguma maneira, desculpe-me a honestidade, mas foi só impressão. Esse espaço é meu e de mais ninguém! E tenho dito.

Pois do alto de minha autoridade que me foi concedida por mim mesmo quando fiz esse blog, coloco aqui um textículo, com cacófato e tudo, que escrevi há coisa de dois anos e meio atrás, durante a fase mais difícil da minha vida.




O caso


Não poderia haver ocaso mais triste que o de Renata. Ainda lhe choravam a ausência mesmo os mais distantes e aqueles conhecidos que compareceram por se sentirem obrigados ou por verem nesta lúgubre cerimônia um remédio para a monotonia de seus dias. Sim, pois mesmo estes, tão logo chegavam e se compartilhavam com tamanha dor e estupefação. E o enterro se melancolizava com o epicédio de soluços e arfares, da nostalgia fresca que corroia a todos.

Renata dormiu e não acordou. Abandonou-se na areia movediça de seus sonhos e se perdeu nas dimensões do desconhecido, de onde não se volta e para onde ainda iremos. Seus familiares não conseguiam digerir esta reinação que a vida lhes impunha e com todos as características mais cruéis que a ingenuidade do menino Desconhecido podia proporcionar. Como pode morrer sem causa, morrer e só?

E lá ia o esquife e os médicos até então a perscrutar o compêndio de conhecimentos, tão variados, que demoraram anos para colecionar em suas mentes, e nunca lhes pareceu tão inútil muito saber diante do Impossível.

Agora já não eram lamentações, eram gritos, a incompreensão personificada no cortejo; as lágrimas choviam, qual deles seria o próximo a simplesmente morrer? Era inevitável; a loucura a inflamar-lhes como a quem pula de um prédio em chamas, já não resistindo à ardência da realidade. A vida sempre a um fio e ninguém o nota senão quando já pende ao abismo. E era este o sentimento da turba mas...

Ah, não lhe atinaram o nome, Renata! Com efeito já se abre o caixão à tua força desesperada. O que é isso? Quanta gente! O que acontecera? Ora! Ainda vives? Este é o teu enterro! Será milagre?

Não, é ironia, pois esta notícia lhe atravessa o peito num infarto fulminante e Renata agoniza em seu próprio féretro. Eis um só funeral para duas mortes.




Tanto estes traços que separam meus texto quanto o alinhamento do título ao centro foram devidos à minha iniciação à programação em HTML. Em breve coisas mais legais serão colocadas aqui, espero. Peço a todos que deixem sua homenagem a mim ou então sejam sinceros e digam o que acharam do escrito.

7 comentários:

  1. Felipe , para receber uma homenagem em seu blog eh necessario muito mais do que ser sua mae e fazer aniversario , ou ser Deus e estarmos no Dias dos Pais.

    Para receber tal graça , eh necessario fazer algo como eu fiz :D , reunir toda a cambada na sua casa e ainda ser anfitriao , por isso acho que seus agradecimentos e sua homenagem a minha pessoa eh mto justa ~~

    Obrigado ,
    Gunner.


    ps.amanha eh sexta dia de ir beber na faculdade yeahhhhhhhhhhhhhhhhhh \o/

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  2. "Pois do alto de minha autoridade que me foi concedida por mim mesmo quando fiz esse blog,"
    fantáaaaaaaaaaaastico comentário, pouco redundante e todo afirmativo! eu soh tenho uma dúvida....a autoridade é de quem mesmo?? E foi concedida por....? Uahaha zuerinha =)) eh soh "enplicânça"... ;)
    bjin..Marianna
    Ohhh dia 16/09...choppadaaaaaaaaaaa

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  3. Isto me lembra o viajante, que morrendo de sede, perdido no meio da caatinga, debaixo de um sol escaldante, quando se deparou com uma casinha de taipa.
    Imediatamente bateu palmas e logo apareceu um garotinho barrigudo de olhos remelentos.
    - Você poderia me arranjar alguma coisa para beber? - pediu o viajante.
    - Poderia sim, senhor!
    Então, o menino desaparece para dentro da casa e logo volta com uma cuia imunda que entrega ao viajante.
    O viajante olha meio enojado para a cuia, fecha os olhos e bebe tudo num gole só.
    - Tava muito ruim? - pergunta o menino.
    - Tava não, por quê?
    - É que tinha um rato morto dentro da cuia. - Seu filho da #*&$%$#*! - esbravejou o viajante, furioso. - Na hora que eu te pegar, quebro a cuia na sua cabeça!
    - Faz isso não, moço, que essa cuia é da mãe mijar!

    Mr. Burns

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  4. A propósito...o texto está mto bom. Pelo menos a parte que eu li...(brincadeirinha)...Mto bem escrito como sempre....Esse é o meu editor!!
    Charles Montgomery Burns. advertisement: http://www.e-movies.blogspot.com/

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  5. Ei, vc escreve muito bem ...já te disse, né? Adorei seu blog, vou entrar sempre...bju enorme...
    Mila

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  6. Oi Felipe!! Blz?! Po, adoro as coisas q vc escreve.
    Acho a sua maneira de expor as ideias formidavel..
    acho ateh q jah falei isso aki. =)
    Eh bem legal ver o modo q vc enxerga as coisas, pq me dah uma nova visaum, tento ver as coisas do seu angulo tbm e naum soh do meu.

    Bjinhos pra vc
    Baby -> www.babyrj.blogger.com.br

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  7. Amigo de longa data,

    Quem eh vivo sempre aparece (se bem q quem eh claro, oi, tim tb...). Uso de lugares comuns, pilherias e pantomimas apenas p/ tentar, eu disse tentar, alcancar a vossa magnetude ao manipular tão sabiamente a ultima flor do lacio.
    Legal poder acompanhar um pouco da sua vida por aki, uma vez, que como amigo relapso q sou, me afastei de vc e sua familia, todos muito queridos por mim.
    Digo que minha vida anda bem, estou terminando a faculdade, com um emprego legal, namorando serio, alias, serio d+ talvez.

    QQ coisa, manda um mail p/ mim!

    Estou no ORKUT, Fabio de Castro

    []´s

    Fabio C. de Castro

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