terça-feira, 5 de abril de 2005
A sacar fotos
Era uma vez um menino de dentes tortos. Eram tão tortos os dentes do menino, que às vezes quando ele sorria, seus dentes se enganchavam e seu sorriso se perpetuava. Um dia botaram-lhe aparelho na boca. Engraçado era ver que os dentes, em lugar de se acertarem, entortavam também o aparelho, tudo uma obra hedionda de cálcio e metal. Resolveram então arrancar-lhe os malditos. Alicate em punhos, o dentista retorcia os olhos de aversão e ojeriza ante coisa tão assimétrica e singular. Anestesia dada, deu-se início ao trabalho fastidioso de arrancar dente por dente da arcada infame do pobre menino. Deu-se então outro imprevisto: para a surpresa do dentista, quanto mais puxava com o alicate, mais dente surgia da gengiva, e tudo ia se entortando e se acomodando na boca do rapaz. Pois muito bem, trata-se de uma aberração da odontologia. Houve-se por bem parar com a cirurgia para levar o moleque para uma conferência, onde dentistas de todas as partes do país poderiam estudar aquela aberração. Tudo marcado para o grande debate odontológico, o moleque se mete numa briga, leva um soco mais atravessado que lhe arrebenta da boca tudo o que não é língua. Agora vejam vocês, quão improvável é isso?
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