Chegou dezembro. Tem gente que não gosta do Natal, acha que Papai Noel é o símbolo máximo do capitalismo... Eu amo esta época do ano. Quando acabam as aulas, as ruas ficam mais vazias de manhã, as coisas parecem mais calmas, serenas. Num instante, parece que todo o sistema em que vivemos nos últimos nove ou dez meses desaparece, e logo me ocorre quão horrível ele é. Passamos o ano inteiro correndo atrás de coisas que por si só, não nos fazem o menor sentido. Fazemo-lo por obrigação, para sobrevivermos. Mas não só por isso. Há aí também uma questão muito maior, que não tenho a menor presunção de explicar, mas trata-se de ocupar o tempo para se evitar as indagações mais inerentes a nossa existência, ao nosso tédio. É bem verdade que muitas vezes, quanto mais paramos para refletir sobre essas coisas, mais nos afundamos em dúvidas e parecemos um verdadeiro poço de vontades e desejos insaciáveis e incertos. Mas nesta época do ano não. Talvez pelo cansaço do período de labuta, talvez pela expectativa de realização de alguns caprichos, não nos incomodam as filosofices.
Além disso, o Natal tem uma aura muito especial. Algo muito sublime e puro, como os velhos desenhos da Disney. É muito diferente do carnaval por exemplo, quando cada um parece travar uma competição interna para ver quem vai ter a estória mais esdrúxula para contar para o resto da vida, seja uma bebedeira homérica, uma suruba escatológica ou um perrengue qualquer. Há gostos e gostos. Nesse exato momento, parece-me mais apropriada a ternura regulada das coisas justas e amorosas.
Ps.: Agora tenho um fotolog wich, by the way, é muito mais regularmente atualizado que essas minhas (in)confidências. moderaterock
domingo, 19 de dezembro de 2004
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