Ultraviolence
Segunda-feira eu me senti assim:
Ando por aí, solene e garboso, com a altivez dos que nada querem. Como é soberbo passar por alguém e nem lhe olhar, sequer notar-lhe a presença! Chuto o que aparece no caminho porque desviar é trabalhoso. Não vejo paisagem, não penso na vida, apenas me desloco pelas trajetórias mais curtas. Não atendo chamados, não autorizo ninguém a me alterar a inércia. Não dou margem a qualquer atrevimento, não me dirija a palavra! Não tenho vontades nem desejos, para mim tanto faz! Ah! o gênio do desprazer! A beleza da indiferença! Nada é mais atraente do que alguém que me despreza! É admirável o mecanismo do meu movimento. Com que graça corto o ar, passo após passo, sem nada esperar! Chego a meu destino e me cansa ter que parar. Não há o menor sentido agora.
Ps.: Comentem, porra!

