quinta-feira, 11 de novembro de 2004

Minha doce apatia

Ultraviolence

Segunda-feira eu me senti assim:

Ando por aí, solene e garboso, com a altivez dos que nada querem. Como é soberbo passar por alguém e nem lhe olhar, sequer notar-lhe a presença! Chuto o que aparece no caminho porque desviar é trabalhoso. Não vejo paisagem, não penso na vida, apenas me desloco pelas trajetórias mais curtas. Não atendo chamados, não autorizo ninguém a me alterar a inércia. Não dou margem a qualquer atrevimento, não me dirija a palavra! Não tenho vontades nem desejos, para mim tanto faz! Ah! o gênio do desprazer! A beleza da indiferença! Nada é mais atraente do que alguém que me despreza! É admirável o mecanismo do meu movimento. Com que graça corto o ar, passo após passo, sem nada esperar! Chego a meu destino e me cansa ter que parar. Não há o menor sentido agora.

Ps.: Comentem, porra!



sábado, 6 de novembro de 2004

bleu bleu bleu

Hoje eu não deveria estar postando. Deveria estar em São Paulo, esperando ansiosamente pelo show do Brian Wilson. Tem um monte de coisas erradas no mundo. Só que eu não quero consertá-lo feito alguns. Quero me adaptar.

Nada para escrever aqui, vou deixar um textículo ruinzinho que escrevi. O título eu não dei porque quero que seja o nome do personagem e não sei que nome dar. Quem tiver sugestão...



Desde pequeno lhe agradavam as coisas azuis. Era tamanho seu fascínio que seu comportamento e seus gostos se explicavam pelo que de anil havia no que quer que fosse. Talvez por isso nunca foi grande glutão. Embora, isso é lá verdade, não demorou muito e deu para dizer que chocolate tinha um gosto azul. Ele era excêntrico, mas bobo não era não.

Um dia, soube que blues era um tipo de música. Depois de escutá-la, soube que o nome se explicava porque, em inglês, blues significava triste também. Achou muito errado. Como puderam desperdiçar a alcunha naquele lamento fastidioso? Para ele, azul era Chopin. Ouvindo seu piano, costumava sentar-se na areia da praia e mirar o horizonte. Gostaria de morar lá porque era onde os azuis se encontravam. Quando o crepúsculo vinha sangrar-lhe a paisagem, recolhia-se magoado. Nunca se resignou que àquela pintura se sucedesse tamanha brutalidade. A aquarela que se formava na sesmaria sempre lhe lembrava “O Grito” de Munch. O medo... Munch devia ter mesmo sangue de rei.

Sua paixão persistiu até que conheceu Rosa. Rosa era loira, palmeirense e usava uma mochila vermelha.

A partir de então, passou a gostar de salada de frutas e a admirar as flores e o arco-íris.