Para quem não está sabendo, roubaram meu quadro preferido: O grito de Edvard Munch.

Aqui vai um texto que acabei de escrever. Este tem um estilo completamente diferente do outro, acho que pelo espaço de tempo que separam a confecção deles. Por favor, comentem dizendo o que acharam do texto!!
O homem
Seguia pela rua naquela manhã de domingo, calma e ensolarada, embora não fizesse calor. As ruas quietas, a brisa, tudo lhe revigorava a alma enquanto apreciava os poucos movimentos na rua. Uma senhora varria a rua alternando ora o jato da mangueira, ora o vigor da vassoura. O senhor de boina carregava o embrulho de pão, e desfechava o papo matinal com o padeiro ao se encaminhar para fora da panificadora. Tudo emoldurado pela trilha dos pássaros, muito agitados àquela hora.
Mais adiante, reteu-lhe a atenção um barulho, algo sendo arrastado. Era um homem, mal vestido, negro, forte porém magro, de muita labuta provavelmente. Deu para observá-lo. Que sofreguidão nos movimentos. Imaginou-o ali na véspera, quando fizera muito calor e não ventava. Teve pena e deteve o passo, fascinado que estava pela situação. Trazia consigo um carro roto, de rolimãs já debastadas de muito uso e longa data. Dentro iam bugigangas diversas, desde o televisor velho a pedaços de madeira e caixas de papelão. Devia ser penoso tracionar semelhante geringonça pelas ruas, com seus declives e aclives, buracos lá e cá.
Naquele momento, tentava em vão içar uma mesa antiga abandonada, de madeira boa decerto, pois parecia realmente pesado. Notou-lhe os andrajos e percebeu que havia feridas nas canelas, estava descalço e trazia pés muito castigados. De fato pensou como conseguia andar sobre o asfalto quente sem calçado algum. Escorriam-lhe algumas gotas de suor, do esforço ininterrupto, sabe lá de quanto tempo, quiçá de toda uma vida. Pôs-se a imaginar sua idade. Já não era jovem. Denunciavam-lhe marcas na pele e no rosto esfarrapado. Trazia barba comprida.
Vencido pelo cansaço, puxou de dentro do carrinho uma garrafa de refrigerante que já não mais se fabricava, contendo água que não parecia limpa. Mesmo assim bebeu, goles longos e calmos, olhar tranqüilo de quem parecia cumprir apenas mais um dia de trabalho.
Aquela serenidade despertou-lhe perplexidade. Como diabos vivia esse homem? De onde tirava forças? O que será que pensava ao acordar? Será que dormia? Onde?
Foi despertado desses pensamentos por um grito. Uma mulher trazia um serrote e o homem sorria a examiná-la vindo ao seu encontro. Ele tomou do serrote, abraçou-a e beijou-a e pôs-se a serrar a mesa.
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