terça-feira, 24 de agosto de 2004

C´est la vie

Sabe quando você está doido para que a aula acabe e ela está só no começo? Daí você começa a imaginar as coisas mais absurdas que poderiam acontecer para que a aula fosse interrompida, que a professora podia passar mal etc. Pois bem, aconteceu comigo há exatamente uma semana. Havia acabado de me sentar de frente ao PC do laboratório, com apostila de C++ recém-aberta no colo, desejando nunca haver nascido. Eis que me entra um cidadão dizendo para evacuar o prédio porque houvera um incêndio no bloco A, que por sinal fica há coisa de 1 km do bloco H, onde estávamos. Aparentemente uma geladeira de um laboratório de química tinha explodido. Que pena...



Para quem não está sabendo, roubaram meu quadro preferido: O grito de Edvard Munch.









Aqui vai um texto que acabei de escrever. Este tem um estilo completamente diferente do outro, acho que pelo espaço de tempo que separam a confecção deles. Por favor, comentem dizendo o que acharam do texto!!




O homem





Seguia pela rua naquela manhã de domingo, calma e ensolarada, embora não fizesse calor. As ruas quietas, a brisa, tudo lhe revigorava a alma enquanto apreciava os poucos movimentos na rua. Uma senhora varria a rua alternando ora o jato da mangueira, ora o vigor da vassoura. O senhor de boina carregava o embrulho de pão, e desfechava o papo matinal com o padeiro ao se encaminhar para fora da panificadora. Tudo emoldurado pela trilha dos pássaros, muito agitados àquela hora.

Mais adiante, reteu-lhe a atenção um barulho, algo sendo arrastado. Era um homem, mal vestido, negro, forte porém magro, de muita labuta provavelmente. Deu para observá-lo. Que sofreguidão nos movimentos. Imaginou-o ali na véspera, quando fizera muito calor e não ventava. Teve pena e deteve o passo, fascinado que estava pela situação. Trazia consigo um carro roto, de rolimãs já debastadas de muito uso e longa data. Dentro iam bugigangas diversas, desde o televisor velho a pedaços de madeira e caixas de papelão. Devia ser penoso tracionar semelhante geringonça pelas ruas, com seus declives e aclives, buracos lá e cá.

Naquele momento, tentava em vão içar uma mesa antiga abandonada, de madeira boa decerto, pois parecia realmente pesado. Notou-lhe os andrajos e percebeu que havia feridas nas canelas, estava descalço e trazia pés muito castigados. De fato pensou como conseguia andar sobre o asfalto quente sem calçado algum. Escorriam-lhe algumas gotas de suor, do esforço ininterrupto, sabe lá de quanto tempo, quiçá de toda uma vida. Pôs-se a imaginar sua idade. Já não era jovem. Denunciavam-lhe marcas na pele e no rosto esfarrapado. Trazia barba comprida.

Vencido pelo cansaço, puxou de dentro do carrinho uma garrafa de refrigerante que já não mais se fabricava, contendo água que não parecia limpa. Mesmo assim bebeu, goles longos e calmos, olhar tranqüilo de quem parecia cumprir apenas mais um dia de trabalho.

Aquela serenidade despertou-lhe perplexidade. Como diabos vivia esse homem? De onde tirava forças? O que será que pensava ao acordar? Será que dormia? Onde?

Foi despertado desses pensamentos por um grito. Uma mulher trazia um serrote e o homem sorria a examiná-la vindo ao seu encontro. Ele tomou do serrote, abraçou-a e beijou-a e pôs-se a serrar a mesa.







quinta-feira, 12 de agosto de 2004

I me mine

Depois de amanhã é aniversário da minha mãe. Mas não pensem vocês que pretendo homenageá-la aqui. Não postei nada no dia dos pais, por quê postaria no aniversário da minha mãe? Não, não vou homenageá-la. Aliás, não vou homenagear ninguém aqui e quem porventura tenha se sentido agraciado de alguma maneira, desculpe-me a honestidade, mas foi só impressão. Esse espaço é meu e de mais ninguém! E tenho dito.

Pois do alto de minha autoridade que me foi concedida por mim mesmo quando fiz esse blog, coloco aqui um textículo, com cacófato e tudo, que escrevi há coisa de dois anos e meio atrás, durante a fase mais difícil da minha vida.




O caso


Não poderia haver ocaso mais triste que o de Renata. Ainda lhe choravam a ausência mesmo os mais distantes e aqueles conhecidos que compareceram por se sentirem obrigados ou por verem nesta lúgubre cerimônia um remédio para a monotonia de seus dias. Sim, pois mesmo estes, tão logo chegavam e se compartilhavam com tamanha dor e estupefação. E o enterro se melancolizava com o epicédio de soluços e arfares, da nostalgia fresca que corroia a todos.

Renata dormiu e não acordou. Abandonou-se na areia movediça de seus sonhos e se perdeu nas dimensões do desconhecido, de onde não se volta e para onde ainda iremos. Seus familiares não conseguiam digerir esta reinação que a vida lhes impunha e com todos as características mais cruéis que a ingenuidade do menino Desconhecido podia proporcionar. Como pode morrer sem causa, morrer e só?

E lá ia o esquife e os médicos até então a perscrutar o compêndio de conhecimentos, tão variados, que demoraram anos para colecionar em suas mentes, e nunca lhes pareceu tão inútil muito saber diante do Impossível.

Agora já não eram lamentações, eram gritos, a incompreensão personificada no cortejo; as lágrimas choviam, qual deles seria o próximo a simplesmente morrer? Era inevitável; a loucura a inflamar-lhes como a quem pula de um prédio em chamas, já não resistindo à ardência da realidade. A vida sempre a um fio e ninguém o nota senão quando já pende ao abismo. E era este o sentimento da turba mas...

Ah, não lhe atinaram o nome, Renata! Com efeito já se abre o caixão à tua força desesperada. O que é isso? Quanta gente! O que acontecera? Ora! Ainda vives? Este é o teu enterro! Será milagre?

Não, é ironia, pois esta notícia lhe atravessa o peito num infarto fulminante e Renata agoniza em seu próprio féretro. Eis um só funeral para duas mortes.




Tanto estes traços que separam meus texto quanto o alinhamento do título ao centro foram devidos à minha iniciação à programação em HTML. Em breve coisas mais legais serão colocadas aqui, espero. Peço a todos que deixem sua homenagem a mim ou então sejam sinceros e digam o que acharam do escrito.

domingo, 1 de agosto de 2004

Vacations

Peço desculpas a quem porventura tenha-se decepcionado ao entrar aqui e se deparar com o mesmo post novamente, mas não pude escrever porque estava muito ocupado vivendo. Que coisa, não?

Minhas férias começaram mau. O tédio revelava-me o vazio da existência e tudo indicava que eu estava no começo de duas longas semanas. Agora, prestes a entrar na crise da musiquinha do fantástico, no fim de meu descanço, vejo que talvez tenha sido somente o frio que reinava outrora e me prostrava, assim como a muita gente, o responsável pelo meu fraquejo. De fato, foram excelentes meus últimos dez dias. Reuni-me repetidas vezes com meus amigos da turma A, inclusive sendo anfitrião em uma das ocasiões. Como temia, revelei-me um péssimo anfitrião, mesmo tendo transferido parte de minhas responsabilidades a Seu Rummenigge. Deu-se algo do tipo: "Esperamos o resto da galera ou vamos para a quadra agora?", ao que eu respondia " Não sei. Rummenigge, o que você acha?" . "Seus amigos não estão com fome?", indagava minha mãe; "Não sei, mãe... Isso é com o Rummenigge..." respondia eu sem pestanejar.

Talvez o clímax destas congregações tenha-se dado na casa de Seu David, pelo ocorrido na partida da escrete canarinha. No conjunto da obra destesto a Globo, mas admito que os eventos esportivos por ela transmitidos perderiam a graça se não fossem as pilhérias ensejadas pela figura canhestra de Galvão Bueno.

Férias engrenadas, eis que me surge uma viagem: Meu Fã me chamou para ir para Barra de São João. Lá fui eu conhecer novos ares. Alem do local, conheci também novas pessoas. Muito legais mesmo! Além de Meu Fã, conviveram comigo Dona Lêlê, Dona Renata e Dona Babita , as mineirinhas mais lindas e gente-boas que conheci, Dudu e Fino. Este é morador daquelas bandas e um cara muito bom e elevado espiritualmente; aquele é primo do João, essa raça que hoje forma junto com os negros, índios e brancos a base da etnia de nosso povo. Que engraçado que foi! Fiquei inebriado com as histórias daquele lugar e das coisas que já se sucederam na casa de Meu Fã. Muito obrigado por me convidar. Lá vai algumas fotos. As de Barra posto depois.

Camilla, Meu Fã, Dudu, Marcelinho, eu e Paloma.
Posted by Felipe

Sentido horário: Gordo, eu, Paloma, Arrigoni, Claudinha e Camilla no show do Reverse.
Posted by Felipe

David e eu falando merda
Posted by Felipe

Aniversário da Renatinha no Galeria Gourmet
Posted by Felipe